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Fiz Pra Você

19:47Huiolla Ribeiro


Encontrei um caderno velho onde haviam várias anotações antigas. Na verdade, aquilo mais parecia um diario do qual todas quase todas as páginas foram direcionadas a uma só pessoa. Passei resto da tarde de sábado relendo todo aquele monte de baboseiras que havia escrito quando era jovem. Devia ter uns onze ou doze anos, todas as páginas estavam marcadas com dia e mês mas não tinha o ano. Só sei a idade que tinha por causa daquele nome. 

O engraçado é que enquanto lia todas aquelas historias bobas sobre o meu dia e sobre cada detalhe dos momentos em que nos esbarrávamos no colégio, nos olhávamos ou nos falávamos, tudo aquilo que senti a alguns anos atrás voltou em minutos, como uma onda gigante que encharcou todo o meu peito. Ao ler sobre momentos em que um de nós deveria ter dito ou feito algo, corrigia a nós dois como quem estivesse vendo tudo de longe e quisesse ajudar. Era obvio que tudo o que vivemos foi maravilhoso, era obvio que nos amamos desde a primeira vez que nos vimos, era obvio que ele queria estar comigo a cada segundo de cada dia, sei disso sem precisar ler o diário dele, apenas o meu. Como eu queria saber disso tudo naquela época.

Porque eu não sabia disso tudo naquela época?

Quando terminei a ultima frase daquele diário, me perguntei o que diria a ele naquela época se fosse mais corajosa naquela época. Foi então que levantei da cama e fui procurar na gaveta da escrivaninha por alguma caneta. Logo que encontrei voltei para a cama, abri novamente o diário, pulei algumas folhas em branco e comecei a escrever.

"O amor é feito para ser correspondido. Amor que é amor nos faz sorrir e não chorar, e é por isso que vivo sorrindo desde a primeira vez que trombamos do corredor da escola e nossos olhos se encontraram. Desde aquele dia meu coração pulsa forte toda vez que te vejo, desde aquele dia meus dias se resumem a pensar em você e minhas noites a sonhar com você. Vivo em êxtase, com um delicioso frio na barriga. Queria tanto que percebesse que minhas mensagens de "Bom dia" não são pra que você apenas saiba que quero que tenha um bom dia, e sim porque esta foi a unica forma que encontrei pra que falasse comigo pela manhã. Mesmo depois que acabou eu ainda ouvia a nossa música. Ainda ouço. Os finais de semanas são tão longos. Passo o dia inteiro me perguntando o que é que está fazendo e o que é que está pensando, e se está pensando em mim. Meu Deus, você me deixa maluca só por sorrir. Só por me olhar. Ainda me lembro daquele dia em que apareceu aqui em casa e não soube explicar porque estava na minha porta e por isso mudava de assunto toda vez que te perguntava. Ficamos horas no telhado da minha casa, e fizemos um pedido pra primeira estrela que vimos no céu, e aí quando terminamos de fazer o pedido nós nos olhamos nos olhos e sorrimos sem graça. E foi naquele momento que soube que o seu pedido era o mesmo que o meu. Porque é que não me beijou naquele momento? Porque é que teve que ir embora? E porque é que não voltou? 

Éramos tolos, éramos bobos, éramos duas crianças que não faziam ideia do que fazer, nem de como agir. Mas quer saber? Não mudaria um segundo se quer de nossa história, exceto pela parte que do fim. Não queria um final daquele jeito, nem de jeito nenhum. 

Será loucura, depois de tanto tempo tudo o que sentia naquela época voltar pra dentro do meu peito com a mesma intensidade - ou até mais - depois de ler seu nome em algumas páginas de um diário idiota? Meu Deus, devo estar maluca mesmo. Mas quem é que liga? Você mesmo dizia que gostava de mim assim."

Quando terminei disse baixinho: Eu ainda te amo. Arranquei aquela nova página do meu antigo diario dobrei duas vezes levantei mais uma vez da cama, coloquei um casaco e fui em direção a porta do quarto. Peguei as chaves da porta e do carro, e dirigi algumas quadras. Estacionei perto da praça, fui em direção a uma casa amarela de portões de grades pintadas de branco. Bati a campainha e esperei até que alguém atendesse. 

Alguém desceu as escadas que davam para a porta da entrada, e sorriu quando viu que era eu. Enquanto destrancava a porta tirei o papel dobrado de dentro de um dos bolsos do meu casaco, e sem dizer uma palavra coloquei em suas mãos. Ele sorriu enquanto lia, e eu sorri também. Assim que terminou, levantou os olhos, me fitou por alguns segundos e sorriu mas uma vez. E disse aquelas palavras que tanto sonhei em ouvir: Eu ainda te amo.
E foi aí que tive certeza: Somos os mesmos daquela época. Meu namorado hoje é o mesmo cara que eu amei há 7 anos atrás.






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