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Os Sinais Diziam Perigo

14:33Huiolla Ribeiro


Por muito tempo tive medo, até me escondi de baixo da cama fazendo companhia para o bicho papão. Parece bobo falando assim, mas era assustador. Os meus medos, digo. Eu sei que deveria enfrentar, mas me esconder é mais seguro do que ficar e lutar. Já estava de saco cheio de ilusões, de planos que não passavam de planos, de promessas que não foram cumpridas, de me esforçar e nunca ser o suficiente, estava principalmente farta da ideia de amar. 

Estava me acostumando a ficar sozinha nos finais de semana, na companhia de livro ou de um filme. Já havia aprendido a rir sozinha, a me arrumar para mim apenas porque achava divertido, e hoje mal me lembro das nossas brigas, e quando me lembro, começo a rir delas... No entanto, os cacos de vidro das louças que jogamos tantas vezes um no outro, permaneceram juntos num montinho no canto da sala só pra eu saber que foi tudo real. Eu já não choro antes de dormir, e, estou aprendendo a ser forte, e olha, eu levo jeito pra coisa. E sobre as nossas músicas, parei de ouvi-las e até quebrei alguns CDs e vinis.

Então já não existia mais um plural. Era apenas ele e ela. Ele era um cara por quem eu me apaixonei um dia, e ela era eu. Deixando o drama de lado, prometi a mim mesma que jamais me sujeitaria a reviver aquilo, com quem quer que seja. Porque amar dói de mais, corrói a gente por inteiro, de dentro pra fora, numa lentidão absurda que enlouquece. Então eu me tranquei dentro de uma bolha feita de aço, onde apenas eu tinha a chave da fechadura.

E então, estava segura. Protegida. Estava.

Quem poderia imaginar que comprar pão seria tão perigoso?

Eu o vi. Lindos olhos, lindo sorriso, um perfume perfeito, barba por fazer... Era de tirar o fôlego. E foi isso, as estruturas foram novamente abaladas. Estava sob ataque e eu não tinha um plano de fuga. Eu podia ouvir, podia ver e sentir. Tudo a minha volta dizia perigo, e mesmo com o barulho alto das sirenes e do vermelho cegante das luzes de alerta eu ignorei os sinais. Deviam ter colocado um sinal de caveira e ossos cruzados lá na entrada.

Tinha me esquecido como era. As mãos soadas, as borboletas no estômago, o coração batendo descontrolado dentro do peito, o desejo desesperado de ser notada e desejada. Como é possível?

Uma voz.
Um sorriso.
Um olhar.
Um perfume.
Uma pessoa.

E eu me pergunto: Como? Como uma única pessoa pode causar tanto tumulto dentro de nós?

- Chamem os bombeiros, a policia, as forças armadas! Fui invadida!

Foi só esquecer a porta aberta por um segundo. 1 segundo. E pronto. O desastre estava feito. Deveria ter checado a porta outra vez.

E ele nem mesmo tirou os sapatos, foi logo entrando... E a casa está uma bagunça. Queria gritar, correr, fugir, me esconder... Mas pra que? E até quando?

Então fiz o que eu disse pra mim mesma não fazer de novo nem um um milhão de anos: 

"Quer um chá enquanto espera? Ou prefere me ajudar com essa bagunça?"
"hmmmmm" - ele pensou por um instante - "Eu fico com a vassoura e você tira o pó, essas teias, e jogue fora aqueles cacos ali no canto."
"E depois que estiver tudo pronto?"
"Fazemos nossa própria bagunça."


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5 comentários

  1. Olá Huíolla, tudo bom?
    indicamos uma tag para você lá no blog.. Se puder dar uma olhadinha:
    http://manual-do-leitor.blogspot.com.br/2014/06/tag-moda-e-literatura.html

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    1. Oláaaaa lindona! Fico muuuito feliz por se lembrar de mim, vou adorar participar da tag! Te aviso assim que sair.Beeeeeeeeeeeijoss

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  2. Gostei do post super intenso hahaha!! Bjocas http://sorrisossemsenttido.blogspot.com.br/

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  3. Olá! Achei um amor o nome do blog <3
    Também sou escorpiana e quero ser jornalista rsrs

    Você escreve super bem e consegue prender a gente na estória <3
    Achei fofinho '' os sinais dizem perigo''

    ♥Blog: Like The Moon♥
    ♥Página do blog♥

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    1. Que foooooofaaaaaaaa! Temos muito em comum! Muito obrigada mesmooo, também ameeeeeei seu blog, beijitosss

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