2 Meses <3 eu te amo

Os Sinais Diziam Perigo // Parte II

18:40Huiolla Ribeiro


Esqueci a porta aberta por um segundo e ele foi logo entrando, e nem pensou muito antes de começar a ajudar a limpar. A casa estava uma bagunça, mas ele até que era bom na limpeza. Varreu alguns cacos para fora, abriu as janelas pra que a escuridão fosse embora e desse lugar a luz que vinha lá de fora, tirou as teias de aranha envoltos de um coração de pedra que eu quase não usava mais. E quanto mais trabalhávamos mais as coisas voltavam pro lugar.

Se eu disser que nada mudou desde que o conheci estarei mentindo.

Passei a cantar no chuveiro, a rir dos meus próprios tombos, passei a enxergar mais minhas qualidades e menos os meus defeitos. Agora quase não tinha medos. Abandonei de vez o bicho papão, voltei a fazer planos, nem que fosse planejar o que faria no almoço, e, decidi lutar, mas dessa vez, só pelo que valia a pena.

E no fim das contas eu não estava mais sozinha.

Ele estava em todos os lugares, na fila da pão, no ponto de ônibus, na pracinha perto de casa, naquela musica que era a cara dele, naquele livro que ele adorava ler, do outro lado da linha no telefone, nos quilômetros de conversas que tínhamos online, nos meus sonhos - mesmo quando eu estava acordada. 

Seus olhos, emoldurados por um par de óculos se chocavam os meus facilmente o tempo inteiro. Gostava de pensar que existia uma força maior que fazia com que isso acontecesse. Seu riso era tão contagiante que tirava toda a nebulosidade dos céus, irradiava o dia e a minha vida. Sua voz tinha o poder de me transportar pros ares. E aquela barba? Passava horas imaginando o dia em que poderia brincar com ela, ele era lindo e nem se dava conta disso, e para mim, esse era o maior dos seus charmes.

 A cada palavra trocada com ele, me sentia mais completa e menos sozinha. Ele me entendia como jamais alguém ousou entender. Partilhava os mesmos medos que eu, concordava em discordar de mim, e gostava tanto quanto eu das nossas longas discussões filosóficas que não levavam a lugar nenhum (ou será que levavam?). Estar com ele, falar com ele era sempre tão bom... Ele me fez viva, me fez nova, me fez inteira e nem se esforçou para isso.  Ele só era ele e isso era tudo pra mim

E foi aí que me dei conta de que eu não queria ser mais eu, no singular, eu queria, finalmente, depois de tanto tempo, fazer parte de um conjunto, de uma soma, de um "nós". Eu queria ele pra mim, todos os dias, pelo máximo de tempo que puder.





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2 comentários

  1. Nossa, que texto lindo! Você tem muito talento :)
    Beijos
    http://garotas-ao-mar.blogspot.com.br/

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